Talvez seja mania de estudante de Direito, que fica sempre falando da função social do contrato, função social da propriedade e por ai vai, mas estive essa semana pensando na função social da comida.
A comida une as pessoas. Aquele velho grupo de amigos que raramente se vê, muito provavelmente marcará um reencontro em algum restaurante. Almoço em família, almoço de negócios, jantar romântico, café da manhã na empresa, lanche da tarde no cursinho, pipoca no cinema, rodízio (de qualquer coisa!) com os amigos, bolo de aniversário... Nossa, é impossível enumerar todas as situações em que nos deparamos com comida!
Por que eu estava pensando nisto? Porque a comida é o meu ponto fraco. É o meu vício, minha fuga. Mas ao contrário de um usuário de droga que se trata, se cura e provavelmente nunca mais na vida virá uma trouxinha de maconha ou uma fileira de pó, a comida está e sempre estará ao meu lado.
Não estou dizendo (longe de mim) que o vício em comida é mais nocivo do que o vício em drogas nem estou dizendo que é mais difícil parar de comer do que parar de usar drogas. Sei o quanto é difícil largar as drogas porque conheço quem já passou pela situação.
O que estou dizendo é que a comida faz parte da vida de todo mundo. Está SEMPRE presente. A gente precisará de comida para sempre. Logo, não adianta fugir dela. Precisamos aprender a conviver com ela. E talvez isto seja mais difícil: aprender a comer com moderação. A comida não admite radicalismos do tipo "nunca mais eu como nesta vida!". A comida é um vício com o qual precisamos lidar. E comer com moderação é difícil para quem não está acostumado a se controlar muito e, além disso, sente muita fome.
Por isto, estou tentando começar a pensar magro. Pensar magro não é cortar de vez os doces. Pensar magro é abrir a caixa de bombons, comer um e guardar o que sobrou sem ficar o tempo todo pensando em ir lá e devorar tudo. É MUITO difícil. Mas é o único jeito de conseguir emagrecer e não engordar mais. Porque bombons sempre existirão e estarão ali, ao meu redor. Eu preciso aprender a conviver com eles... não posso simplesmente me isolar em uma bolha. Onde quer que eu vá, lá haverá comida.
Assim, começo o fim de semana com esta "cirurgia psicológica do estômago". Meu estômago continua grandão, mas minha força de vontade é maior.